Autoaceitação
Um LGBTQ+ um dia me perguntou como foi para a minha família quando me assumi gay, bem o que dizer, tive a sorte de não ser jogado pra fora de casa, mas ouvi os mesmos discursos dos meus pais, embora divorciados desde que eu tinha um ano de idade, ambos disseram a mesma frase que a maioria (não todos) dos gays e lésbicas escutam... "Te amo, você não vai deixar de ser meu filho por ser assim, mas eu não aceito isso."
É um conflito, ouvimos que somos amados mas não aceitos, é como se me dissessem corre, mas, devagar. O homossexual no Brasil tem passado por uma peculiaridade, estamos enfrentando o retrocesso, o atual governo está impedindo manifestações públicas vinculadas a questões LGBTQ+, ou seja, agora nós gays temos que lhe dá com a sociedade, a família, a religião e o governo.
A impressão que temos é que está tudo errado, as pessoas não deveriam se esconder, o negro e o branco deveriam usufruir dos mesmos espaços sem que um ou outro seja diminuído, as oportunidades deveriam ser iguais, encontramos a cura da AIDS, prevenimos o envelhecimento, transplantamos corações, aprimoramos a comunicação e a locomoção, mas não conseguimos dominar a arte de conviver. As religiões deveriam ser o porto seguro, deveriam ser nosso encontro com o criador, o amparo para os aflitos e desamparados, e hoje percebemos que virou um QG de caça "as bruxas" um coven de alienados que disseminam o ódio e repugnam as coisas que vão contra as suas crendices pessoais. As famílias abominam os próprios familiares, gays são assassinados pelos próprios pais, dentre outras aberrações que acompanhamos na mídia.
A questão é o quanto eu acredito em dias melhores, o quanto eu contribuo para ser a diferença que o mundo precisa, e tudo isso começa em aceitar-se, quando me aceito gay o outro não tem o que tirar de mim, quando me aceito negro o termo negro não soa perjurativo, quando me reconheço pertencente a uma sociedade multi racial, pluralista e diversa em todos os sentidos eu começo entender que haverá divergências, e tudo bem o outro pensar diferente de mim, o que não posso permitir é que essa divergência seja base para discursos de ódio.
Sempre ouvimos a respeito dos malefícios do nazismo e das cicatrizes que deixaram abertas na história da humanidade, a verdade é que hoje ainda vivemos o mesmo período de perseguição, de aniquilação de raças, o índio luta por sobrevivência, a mulher luta para sobreviver mais um dia sem assédio, agressão ou atitudes machistas, nos escondemos atrás de casamentos forjados, de placas de igrejas, de empregos infelizes, de obesidade forçada, nos escondemos como podemos para continuar sobrevivendo em tempos difíceis. Será esse o legado que deixaremos ? Um legado de vergonha e de uma vida de faixada ?
Aceite-se hoje! Se permita ser quem é, independente de sua origem ou de quem você é. Hoje sou grato pelos pais que tenho, ambos me compreendem, me aceitam como um todo e não por partes, eu levei 18 anos para me aceitar, não era justar querer aceitação do dia para a noite deles, é preciso saber esperar, e entender que todos nós somos diferentes, e que sempre haverá diferenças, porém quando compreendidas e aceitas podemos unir forças e tornar a convivência um prazer e não um fardo. CLIQUE NA IMAGEM

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