Ame as suas curvas e retas.


No dia 16 de maio de 2018 a estudante Dielly Santo de 17 anos, foi encontrada morta no banheiro. “Enforcamento”, apontam os laudos policiais. De acordo com a família da jovem, Dielly era vítima de bullying e gordofobia, e constantemente chamada de “lixo” e “porca imunda” pelos colegas, que gargalhavam após proferir tais ofensas.

A busca pelo corpo ideal tem sido uma frequente batalha encarada em especial pelo público jovem como uma meta de vida. Observamos as “dietas” mais insanas possíveis, a cada dia surge na mídia um novo chá que promete emagrecer e acabar com sua gordura localizada, ou um novo procedimento estético que garante resultados rápidos e sem dor. O que observamos é uma sociedade doente psicologicamente em busca de algo que se quer sabem descrever.

Os padrões de estética mudam a cada ano, as celebridades vendem pelas redes sociais e programas televisionados a imagem do corpo perfeito, o body-perfect tem tirado a vida de inúmeras pessoas  no primeiro parágrafo lemos a história de uma das vítimas dessa indústria bizarra. Casos como o da Dielly não são isolados, acontecem rotineiramente, pessoas se matam por não se encaixarem em padrões estéticos, a propagação desse corpo perfeito tem tornado a vida das pessoas um fardo, as que não o alcançam. Em uma publicação em uma de suas redes sociais, Winderson Nunes posta uma foto do seu antes e depois de uma modificação em seu corpo após um período significativo na academia, seguido de dieta balanceada realizada por nutricionista, após acompanhamento de seu personal trainer, uma fã do comediante disse nos comentários “ com o dinheiro que você tem fica fácil” e o comediante prontamente respondeu “correr na rua é de graça”. Muitos o apoiaram e certamente faz sentido sua fala.
O que Winderson não sabe é que emagrecimento é o resultado de um conjunto de ações, se correr resolvesse teríamos muitas pessoas magras, há necessidade de alimentação adequada, apoio psicológico, exercícios adequados, dentre outros fatores que nem sempre são de graça. Mas a questão aqui é que infelizmente para muitos emagrecer e se encaixar em um padrão estético é apenas uma questão de “força de vontade” sem dúvidas eu diria que esse seria o primeiro passo, mas não o ultimo e nem o único. Precisamos aprender a ver no outro sua história, reconhecer suas fragilidades. Uma mãe de família que trabalha para complementar renda ou ainda uma mãe que é pai e mãe, e tem que dar conta dos afazeres domésticos, seu trabalho, assistência aos filhos e familiares, cumprir com suas atividades religiosas ou quem sabe sociais, nem sempre vai ter o embasamento psicológico necessário para estar magra e bela.

Se aceite, ame suas curvas, seja mais que um corpo perfeito, seja feliz. Se a sua forma física não coloca em risco sua saúde se aceite, você não tem que ser como ninguém além de si mesmx seja autênticx, não compre sua forma de viver com a maneira como os outros vivem, nossas mães sempre diziam e estavam certas, não somos todo mundo, somos cada um fruto de nossa individualidade, e podemos ir até onde nossas pernas alcançam por que aprendemos que a jornada que trilhamos nessa terra é individual.

Abra os olhos para a realidade, carregar um corpo bonito e uma alma triste não vale a pena.

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